Arquivo | Crônica

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Quem Tem Medo do Lobo Mau?

Postado em 21 novembro 2011 por Marco Antonio Mattos Rezende

Medos pessoais e culturais que podem nos paralisar

Passamos a infância ouvindo muitas estórias, que é uma forma de introduzir a criança no universo dos sentimentos que carregamos dentro de nós e que, dependendo da forma como são apresentados e posteriormente introjetados, podem nos habitar por toda a vida causando efeitos benéficos ou maléficos? Alguns contos tentam orientar para a noção de perigo, pois afinal, um pouco de medo é fundamental para que aprendamos a nos proteger, mas dependendo da intensidade, pode-se passar a mensagem que nunca devemos arriscar, pois qualquer erro pode ser fatal? Pronto! Já fomos iniciados ao universo do medo e por mais que tenhamos desejo, curiosidade ou paixão, somos inevitavelmente puxados pra traz e induzidos a trocar o ideal, o desejo, o amor, a aventura, a descoberta e as conquistas, pela velha e conhecida segurança de navegar em águas tranquilas!

Temores, ameaças e a velha necessidade de nos sentirmos no controle, até mesmo do nosso futuro, pode nos paralisar e nos aprisionar numa espécie de limbo da vida terrena.

Nessa hora me vêm à mente algumas frases das antigas esposas infelizes, dependentes financeira e emocionalmente dos maridos que pregavam: ruim com ele, pior sem ele! A falta de opção era a única opção! O que fazer?! Conformar?!… Resignar?!… Permanecer?!… Que sina!…

Mas felizmente alguma coisa mudou!

Aprendemos que na vida temos que fazer escolhas e por melhor que elas sejam, sempre nos farão perder alguma coisa.Teoricamente falamos que saberemos pagar o preço…que pra ganhar temos que definir o que estamos dispostos a perder… e tudo mais que possa justificar a nossa vã filosofia, mas o fato concreto é que intimamente temos uma sensação registrada que perder é algo muito ruim.

Mas quem conseguiu chegar a uma certeza sem ter passado por muitas incertezas?

Num primeiro momento tudo é duvidoso, pois certificado de garantia só encontramos nos eletrodomésticos e mesmo assim eles falham.

Às vezes você se depara com situações na vida que deseja dizer sim e lutar por aquilo que íntima e verdadeiramente possa fazer sentido para a sua vida, mas você encontra, sempre em alerta, alguém para lhe chamar de ingênuo, sonhador, sem noção, se empenhando em lhe fragilizar e fazer com que você se sinta uma pessoa inadequada. Percebo o quanto isso acontece dentro de nós e se repete também na cultura de algumas cidades que manifestam sua insatisfação e anseiam por uma mudança que pode vir a ser melhor.

O inconsciente pessoal e coletivo pode ainda alimentar a crença que mudar é perigoso e seguir repetindo infinitamente o paradigma que é melhor ficar com algo ruim e conhecido do que investir em algo que realmente se deseja, mas é totalmente desconhecido!

É o medo do medo do medo!

Isso nos remete ao Chapeuzinho Amarelo, (uma releitura do clássico chapeuzinho vermelho), linda estória que Chico Buarque criou para falar do medo. A bela menina sofre de um mal terrível: sente medo do medo. Mas a medida que decide enfrentar o desconhecido (o lobo mau), ela descobre que o medo que ela sente é que dá tanto poder ao lobo. Aí ela decide enfrentá-lo e descobre que ele não é tão perigoso assim! Afinal, lobo sem medo fica sem graça e vira bolo. Então ela aprende a reconhecer, a enfrentar e passa até a brincar com os próprios medos. E o que acontece? – Ela se liberta e descobre a alegria de viver!

E quem não tem medo de alguma coisa?
Por que precisamos de tantas garantias de que estamos fazendo o que é certo, o que é bom e o que é justo?!
Certo, bom e justo pra quem?
O medo de fazer uma escolha e fracassar pode ser tão forte a ponto de congelar nossos desejos e nos paralisar! Estamos comprometidos com o sucesso ou com o nosso propósito?

Li, rapidamente num artigo, que os projetos maravilhosos de Walt Disney foram rejeitados nada menos que 77 vezes, mas ele confiava tanto nos seus sonhos que não desistiu e sua obra permanece de geração a geração se aprimorando e alimentando as fantasias de crianças e adultos do mundo inteiro que desejam vivenciar estórias que nos façam acreditar que a vida pode e deve ter sempre um final feliz!

Realmente entender as contradições pessoais e culturais e lidar com elas é um permanente aprendizado.

Algumas pessoas podem achar mais fácil manter uma vidinha sem gosto, sem graça e sem opinião, por falta de coragem de enfrentar o novo. E isso não é um julgamento, pode ser uma opção, ou talvez uma falta de condição!

Outras escolhem lutar pelos seus sonhos e decidem estar no centro de suas decisões correndo o risco que for necessário.

Trilhar caminhos mais desafiadores e tortuosos em vez de procurar o atalho, pode não ser a forma mais eficiente de alcançar um resultado, mas nos permite avaliar a caminhada, o nosso processo de ver, sentir e viver a vida de uma forma mais confiante.

Afinal, se quisermos encontrar, poderemos descobrir que dentro de nós ainda existe aquela criança que conserva a alegria, a ternura, não tem medo do novo e ainda mantém o entusiasmo que desperta a coragem de enfrentar o lobo mau!

E assim, ao nos defrontarmos com nossos medos poderemos dar sinal verde para a felicidade e seguir adiante, cantando:

¨Quem tem medo do lobo mau, lobo mau, lobo mau?!¨

FIM

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Estou ficando velho…e daí ? De Roberto Trujillo

Postado em 19 agosto 2011 por Marco Antonio Mattos Rezende

 

Estou ficando velho…e daí ?

por Roberto Trujillo, quinta, 18 de agosto de 2011 às 14:50
Eu nunca trocaria meus amigos surpreendentes, minha vida maravilhosa, minha amada família por menos cabelo branco ou uma barriga mais lisa.
Enquanto estou envelhecendo, torno-me mais amável comigo, e menos crítico de mim mesmo.
E me torno meu próprio amigo…
Eu não me censuro por comer biscoito extra, ou por não fazer a minha cama, ou pela compra de algo bobo que eu não precisava, como uma escultura de cimento, mas que parece tão “avant garde” na minha sacada.
Eu tenho direito de ser desarrumado, de ser extravagante.
Vi muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento.
Quem vai me censurar se resolvo ficar lendo ou jogar no computador até as quatro horas e dormir até meio-dia?
Eu dançarei ao som daqueles sucessos maravilhosos dos anos 60 & 70, e se eu, ao mesmo tempo, desejo chorar por um amor perdido …
Vou andar na praia com um short excessivamente esticado sobre um corpo decadente, e mergulhar nas ondas com abandono, se eu quiser, apesar dos olhares penalizados dos outros no jet set.
Eles, também, vão envelhecer.
Eu sei que eu sou às vezes esquecido.
Mas há mais, algumas coisas na vida que devem ser esquecidas.
Eu me recordo das coisas importantes.
Claro, ao longo dos anos meu coração foi quebrado.
Como não pode quebrar seu coração quando você perde um ente querido, ou quando uma criança sofre, ou mesmo quando algum amado animal de estimação é atropelado por um carro?
Mas corações partidos são os que nos dão força, compreensão e compaixão.
Um coração que nunca sofreu é imaculado e estéril e nunca conhecerá a alegria de ser imperfeito.
Eu sou tão abençoado por ter vivido o suficiente para ter meus cabelos grisalhos, e ter os risos da juventude gravados para sempre em sulcos do meu rosto.
Muitos nunca riram, muitos morreram antes de seus cabelos virarem prata.
Conforme você envelhece, é mais fácil ser positivo.
Você se preocupa menos com o que os outros pensam.
Eu não me questiono mais.
Eu ganhei o direito de estar errado.
Assim, para responder sua pergunta, eu gosto de ser, de estar me “tornando” velho.
Este velho que chega em mim? Me liberta…
Eu gosto da pessoa que me tornei.
Eu não vou viver para sempre, mas enquanto eu ainda estou aqui, eu não vou perder tempo lamentando o que poderia ter sido, ou me preocupar com o que será.
E eu posso até comer sobremesa todos os dias (se me apetecer).
Que nossa amizade nunca se separe porque é direto do coração!
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Recordar é Viver – Everaldo F. Teixeira – Crônica

Postado em 13 agosto 2011 por Marco Antonio Mattos Rezende

 

A crônica de Everaldo Francisco Teixeira, intitulada “ Recordar é Viver – A Itaperuna dos anos 60, representa o município de Itaperuna no livro “Crônica para a Cidade Amada – As cidades brasileiras na literatura”, reúne crônicas sobre os 92 municípios fluminenses. A publicação é uma homenagem da Academia Brasileira de Letras pelos 200 anos da Biblioteca Nacional?

RECORDAR É VIVER:

A ITAPERUNA DOS ANOS 60

Everaldo Francisco Teixeira

TUDO COMEÇAVA COM UM APITO, um som estridente, cortando a cidade e numa cadência de “café com pão” lá vinha a Maria Fumaça empurrando a todos sem pedir licença, passava com sua imponência jogando fumaça para todos os lados. Correndo em direção a outras cidades.

Era bonito presenciar esta força bruta como meio de transporte, mesmo todos pagando um preço pelas longas viagens que se tornavam cansativas. Uma viagem de Itaperuna ao Rio de Janeiro durava um dia inteiro. Todos prestavam atenção à passagem do trem, ao passar pelo centro, pela ponte e ao cortar chão afora, “Café com pão… Café com pão… aé seu maquinista”. E ia o trem jogando fumaça, fazendo barulho, e mexendo com todos.

A Itaperuna dos anos 60 tinha esse trem que por duas vezes passava pelo centro da cidade. Centro este que tinha uma iluminação fraca e que à noite criava um ambiente calmo e tranquilo, a iluminar casas muito antigas. Uma avenida com três pistas e muitas árvores, onde pardais faziam a festa e de vez em quando o lacerdinha se tornava o terror de todos.

Tempo gostoso, tempo em que as coisas aconteciam lentamente e que deixavam marcas que existem até hoje. Tempo que para se comprar um litro de leite era preciso levar um vasilhame. Tempo que um desfile de 10 de maio era uma festa para todos. Basta dizer que quando a banda do Colégio Estadual 10 de Maio, comandada pelo Maestro José Carlos, chegava ao Colégio Bittencourt, lá na rodoviária antiga, ainda estavam entrando pelotões de alunos para desfilar. Tempo em que a Rádio Itaperuna fazia a festa para os ouvintes e Geraldo Guimarães era sinônimo de qualidade e audiência. Tempo em que o Colégio Bittencourt, na figura do Dr. Jair Bittencourt comandava, na cidade, a educação. Tempo em que um bom café significava ir ao café Oliveira, uma compra de material escolar significava ir à Folha Nova e uma loja como a Seleta era a preferida por todos.

Tempo que quando a tarde caía, as pessoas buscavam suas casas e na linha do horizonte o sol se punha e um vento gostoso, uma brisa,criava o ambiente propício para que centenas de pardais fizessem no céu de nossa avenida principal um balé improvisado, das 17 horas em diante. Pardais que em movimentos rápidos e bruscos cortavam o céu, em todas as direções. Nestas horas, os jovens com mais tempo e criatividade, faziam um céu multicolorido de pipas, que enfeitavam com mais alegrias as nossas tardes de verão, em época de muito vento. E onde andam as pipas, as peladas, o banho de rio, o pião e muitas outras brincadeiras no mundo moderno?

Em termos de divertimento nos finais de semana, tínhamos o ITC e dois cinemas, um na General Osório e outro onde é o Edifício Rotary. Tempo das matinês, das pipocas e das trocas de gibis. Um bom garoto que se prezasse não ia para o cinema sem gibis para troca. Gibis como Tarzan, Flecha Ligeira, Zorro, Batman, Superman, Mickey e o Mandrake que faziam a festa de todos. Nesta época uma revista em quadrinho(GIBI) era classificado como anti-cultura e nocivo à formação de um adolescente. Era uma barra ter um gibi.

Movidos a pipocas, e atentos com os olhos, começava a sessão, fosse a aventura policial ou cowboy, tudo era uma descoberta. Neste tempo, ir ao cinema era um ritual e havia um certo prazer que nos dias de hoje está morrendo. O Cine Santa Luzia, inaugurado em 1964, era um ambiente chique e que atraia todos os segmentos da sociedade levando cultura e divertimento.

Sempre existia ao final de cada sessão, um pequeno filme de suspense que prendia a atenção de todos e nos obrigava, na semanas eguinte, a não faltar para ver como o mocinho escapava das armadilhas mais fantásticas que se podia imaginar. Eram seriados de botar inveja nos olhos de Indiana Jones.

Era um tempo gostoso e a vida era mais fácil. Itaperuna, com as características que lhe eram peculiares agasalhava a todos os seus filhos e com seu ar de cidade do interior, pacientemente esperava seu momento para se transformar no que é nos dias de hoje.

Aqui, ao cair da tarde em Itaperuna, um trem cortava a cidade, um apito era o sinal de sua chegada, um relógio preciso que marcava o tempo.

Por muitos anos fez este trajeto, até que em 1973, numa tarde,passou bem devagar e triste, como se estivesse fugindo e chorando e num último apito deu seu grito de adeus… E NUNCA MAIS VOLTOU.

Professor — Everaldo Francisco Teixeira
Professor de Filosofia e Sociologia.
Orientador Educacional.
Escritor.
Pesquisador em Astronomia e Física.
Twitter – everaldoft

Outra postagem sobre o mesmo assunto:

Crônica de Everaldo Teixeira representa Itaperuna em livro de Niskier

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Livros pra inguinorantes, por Carlos Eduardo Novaes

Postado em 25 junho 2011 por Marco Antonio Mattos Rezende

Confeço qui to morrendo de enveja da fessora Heloisa Ramos que escrevinhou um livro cheio de erros de Português e vendeu 485 mil ezemplares para o Minestério da Educassão. Eu dou um duro danado para não tropesssar na Gramática e nunca tive nenhum dos meus 42 livros comprados pelo Pograma Naçional do Livro Didáctico. Vai ver que é por isso: escrevo para quem sabe Portugues!

 

A fessora se ex-plica dizendo que previlegiou a linguagem horal sobre a escrevida. Só qui no meu modexto entender a linguajem horal é para sair pela boca e não para ser botada no papel. A palavra impreça deve obedecer o que manda a Gramática. Ou então a nossa língua vai virar um vale-tudo sem normas nem regras e agente nem precisamos ir a escola para aprender Português.

 

A fessora dice também que escreveu desse jeito para subestituir a nossão de “certo e errado” pela de “adequado e inadequado”. Vai ver que quis livrar a cara do Lula que agora vive dando palestas e fala muita coisa inadequada. Só que a Gramatica eziste para encinar agente como falar e escrever corretamente no idioma portugues. A Gramática é uma espéce de Constituissão do edioma pátrio e para ela não existe essa coisa de adequado e inadequado. Ou você segue direitinho a Constituição ou você está fora da lei – como se diz? – magna.

 

Diante do pobrema um acessor do Minestério declarou que “o ministro Fernando Adade não faz análise dos livros didáticos”. E quem pediu a ele pra fazer? Ele é um homem muito ocupado, mas deve ter alguém que fassa por ele e esse alguém com certesa só conhece a linguajem horal. O asceçor afirmou ainda que o Minestério não é dono da Verdade e o ministro seria um tirano se disseçe o que está certo e o que está errado. Que arjumento absurdo! Ele não tem que dizer nada. Tem é que ficar caladinho por causa que quem dis o que está certo é a Gramática. Até segunda ordem a Gramática é que é a dona da verdade e o Minestério que é da Educassão deve ser o primeiro a respeitar.

 

Publicado no Jornal do Brasil

 

Enviado para o Outra Revista por Luciana Carvalho

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Desejos, Valores, Ideais – dilemas da vida moderna.

Postado em 15 junho 2011 por Marco Antonio Mattos Rezende

Numa conversa entre amigos, falávamos sobre os valores morais tão distorcidos na vida contemporânea! A sensação que temos é que tudo que era considerado errado no passado virou moda e motivo para ser admirado pela sociedade no presente. Antigamente ser primeiro aluno da classe era sinal de prestígio e inteligência, hoje eles são chamados de NERDS. Ser honesto era honroso, hoje ser esperto é que é legal!

Amor, fidelidade, projetos para uma vida inteira eram os planos de quem queria se casar e construir uma vida ao lado de alguém. Hoje o prazer sexual preconiza o início de um relacionamento, seja ele descartável ou não. Como dizem os jovens: “A FILA ANDA”! Parece que ninguém quer dividir nada, as pessoas só se juntam se puderem somar.

Falávamos também da propaganda enganosa, da ditadura da beleza, da cultura que troca o ser pelo ter, da arrogância e despreparo de alguns novos poderosos e novos ricos muito afetados pelo excesso de deslumbramento nesse mundo ainda tão desconhecido. O chato é ter que conviver com a arrogância e falta de respeito à hierarquia de valores que são os alicerces da construção de uma pessoa.

Também pudemos observar perplexos, a atitude irresponsável de alguns profissionais que se apropriam indevidamente do espaço que lhes é dado na mídia para executar sua vingança pessoal denegrindo e difamando pessoas. E o pior, uma vingança impulsiva, infundada, imaginária, que nem se deu o trabalho de comprovar a veracidade dos fatos. Mas fazer o quê? O tempo se incumbirá de revelar a verdade e ela sempre chega, cedo ou tarde.

Estamos presenciando muitas mudanças de paradigmas e uma delas é percebida claramente na forma de condução dos Governos. Investem-se altas quantias em propaganda, muitas vezes para maquiar a falta de seriedade e incompetência administrativas. O importante nessas situações não é o que acontece na realidade, mas sim, a imagem que é passada. Como prega a sabedoria popular: “a mentira infinitamente repetida, torna-se verdade.”

Vemos na mídia governos fantásticos promovendo milagres e feitos espetaculares em tempo recorde, mas o que se constata é a miséria e a violência proliferando.A falta de políticas públicas mais humanizadas nos deixa à mercê de um mundo frio, oportunista e impessoal.

Vivemos numa época que as pessoas amedrontadas e fragilizadas, parecem se fechar mais a cada dia. As trocas afetivas diminuíram e o distanciamento entre elas aumentou.

Ninguém se importa com o que ou quem você é, mas sim com o que você tem e quem você mostra ser.Assim os indivíduos, cada vez mais rotulados e despersonalizados se APEGAM A VENDER SUAS IMAGENS de bem-sucedidos, ricos, vencedores e possuidores de uma felicidade tão permanente que nenhum PROZAC conseguiria dar conta. Falando nisso… Já notaram que a tristeza, um sentimento tão natural quanto a alegria, parece ter sido retirada do vocabulário? Ninguém mais pode se dar o direito de vivenciá-la que logo será rotulado como depressivo. Temos sempre que refletir a imagem da felicidade!

Mas sempre chega a hora de se olhar no espelho e se confrontar consigo mesmo perguntando: – Quem sou eu? – O que eu realmente penso, quero e sinto? – Eu sou eu mesmo ou aquele personagem que criei para a sociedade?Questionamento como esse fica tão difícil de ser encarado, que só mesmo apelando para o álcool e a droga no intuito de se anestesiar a dor de se sentir um equívoco de si mesmo. E isso é lamentável!

Até responder um cumprimento mais banal ficou complicado. Quando perguntam se está tudo bem, temos que responder, automaticamente, como mera formalidade, pois na verdade, se você desejar manifestar alguma insatisfação, dor ou descontentamento, logo, logo encontrará pessoas cheias de compromisso e com muita pressa. Mas, certamente encontrará, com tempo de sobra, quem deseje ouvir suas histórias acerca do belo cruzeiro pelo Caribe ou das muitas compras em NOVA YORK. Afinal, todos precisam de um escape, algo para fazer sonhar, ou mesmo rir.

Ninguém quer ouvir problemas porque os seus já são difíceis demais de carregar e resolver. Se quiser um ouvido atento prepare-se para pagar um analista. Tudo que precisamos temos que pagar o preço concreto e emocional.

A ditadura da beleza, determina que as quarentonas e cinquentonas precisam ser louras, magras, saradas e manter a juventude dos 20 anos mesmo que descaracterizem seus traços com botox e outras técnicas as marcas em seu rosto que contam a sua história.Quem aguenta tanta pressão?! Acompanhar a vida moderna não é fácil! Já percebo uma reação em algumas jovens desejando aquele tempo em que a mulher podia ser mãe e esposa e se sentir bem com isso sem precisar ser inteligente, brilhante, poderosa, linda, magra, sarada e bem-sucedida. Será que não podemos escolher o que queremos ser? Temos que comprar o pacote completo?

E nessa luta frenética que vivemos na ânsia de atender a tantas expectativas e representar tantos papéis, o tempo é sempre insuficiente. E pasmem… esse tempo não tem volta! Um dia tudo se vai: o sucesso, as fotos na coluna social, o corpo escultural, o PHD e a gorda conta bancária. Nada disso pode preencher o vazio da falta de amigos, do amor do marido e dos filhos, da convicção de ter lutado pelos nossos ideais, da felicidade de acolher os netos chegando para alegrar nossas vidas, nos consolando das perdas dos pais que partiram e nos mostrando, que A VIDA TEM QUE CONTINUAR, acima de tudo e apesar de tudo!

Precisamos mesmo estar atentos ao encaminhamento que damos à nossa vida, não nos omitindo das nossas responsabilidades pessoais e sociais, mas nos dando o direito de lutar pela nossa felicidade que pode significar simplesmente GOSTAR DO QUE VOCÊ TEM E AMAR SER QUEM VOCÊ É!

Por Claudete Machado Cerqueira.

Publicado na Estilo Off de junho2011
E no Blog:http://claudetecomvoce.blogspot.com/

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Um dia eu acordei… Millena

Postado em 20 dezembro 2010 por Marco Antonio Mattos Rezende

Com os olhos sonolentos um dia eu acordei. Existia um céu, uma Terra, um sol que brilhava todas as manhãs até então, existiam as nuvens com seus formatos engraçados, as cores do arco-íris, e a chuva que caia lá fora, longe, longe de tudo, gota por gota que caía nos campos verdes.

Um dia eu acordei, e o dia já não era o mesmo, e eu já não era a mesma, e as coisas em minha volta já não eram as mesmas. Tudo havia se modificado com uma rapidez instantânea e com uma raiva bruta e delicada. Apenas com os ruídos não entendidos de uma vida que continuava a se movimentar lá fora, como um ritmo de dança, que a gente não pode parar, caminhando com os passos uma hora lentos, e outra hora, rápidos demais, de um mundo onde você precisa encaixar-se, ou ele simplesmente devora você.

Um dia eu acordei com o sopro da brisa vindo me invadir com uma sensação fantasiosa, insistindo em me mostrar que o tempo havia também mudado, e que como um ciclo, o presente se transformava em passado. E que mais uma fase existia em passar, como todo o resto passou, apenas guardando uma nostalgia de uma vida que passa, passageira.

Millena.

http://wwwtangerinee.blogspot.com/

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Minha história sobre as formas de escrita

Postado em 08 setembro 2010 por Marco Antonio Mattos Rezende

Muita tinta colorida e lápis de cera… assim começa a minha descoberta das letras e números. Este mundo fantástico da escrita se manifesta através de minhas inúmeras e maravilhosas brincadeiras e lembranças na pré-escola.

Já nas primeiras séries, o uso do lápis nos pequenos cadernos pautados me faziam sentir mais segura e “adulta”, durante primeira década na vida escolar. Os professores com seus gizes brancos e apagadores, faziam oportunidades em exercícios, para que eu pudesse experimentar os mágicos quadros negros em outra forma e cor, reproduzir minha letra, minha escrita.

Quanto mais firmes e bonitas, as palavras brincavam nas canetas “Bics” multicoloridas. Deslumbrava-me com as canetas-tinteiro de meu avô, com as máquinas manuais de somar do armazém de meu pai, com o mimeógrafo a álcool que minhas professoras reproduziam nossas atividades e mais tarde, no curso de datilografia, a escrita nas máquinas de escrever.
Destas tantas experiências, muitas são só boas lembranças. Nas salas de aula, agora, os quadros-negros são brancos e os gizes brancos são pilots coloridos. As máquinas de escrever pesadas e barulhentas foram substituídas por rápidos e modernos computadores e impressoras que facilitam trabalhos, especialmente os do professor.

Assim, sentada no sofá da casa da minha mãe, realizando esta atividade neste curso on-line, em plena manhã de domingo, usando um notebook, percebo quanta evolução e aprendizagem nesta minha história de “escritora”.

Por Margareth de Oliveira Costa Itaperuna – domingo, 5 setembro 2010, 11:39

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A bicicleta – Ronie Von Rosa Martins – Crônica

Postado em 25 julho 2010 por Marco Antonio Mattos Rezende

foto: http://ronieev.bloguepessoal.com/r4635/A-ESCOLA-ETEREA/

 

A bicicleta
Ronie Von Rosa Martins
Não. O tempo não estava no movimento. Ele pensava. O tempo estava na bicicleta. Imóvel encostada ao muro.

Sim. O movimento era apenas ilusório, o tempo era além dele. Era imobilidade. Sim.

O muro estático e a bicicleta plantada em suas costas. Sustentação tácita. Amparo. O verbo já não existia. O verbo era distância. De fundo o azul chumbo de um céu imóvel como o tempo. Assim como ele. Estático.

Os aros da roda já não deliravam pelas estradas, mas uma massa de tempo enlouquecida se embrenhava imperceptível por eles. Silencioso enroscava-se no metal da bicicleta, retorcia-o. E ele percebia.

O tempo estava. Antes do movimento. Antes do verbo. Antes da representação do movimento. Antes da representação da fala. Ele.
Os pensamentos tentavam se constituir, mas a densidade temporal era anti-constitucional, e os pensamentos e também os sentimentos mesclavam-se em mechas de tempo e no metal da bicicleta e no barro do muro e na carne que era dele.

Então chorou. Silenciosa a lágrima percorreu pele e carne e porosidades e espaços e lembranças. E fez-se memória e apagou-se-extinguindo-se no silêncio da terra. E não houve outra.

Só a bicicleta muda. E dizia tanto. E gritava tão alto. E o muro permanecia além do próprio muro,visto que agora era lembrança. E também a bicicleta. Verde. Não o muro. Este cinza e velho. Como ele.

Cinza e velho ele percebia o tempo, e a bicicleta e o muro. E se tudo era símbolo. Era ele símbolo. Fechou a mão lentamente e pode sentir o tempo pulsando dentro, e afundar-se na carne e mergulhar pra dentro do corpo. E tudo pulsava e tudo era quente.

Tudo era quente no silêncio da bicicleta.

O movimento já não era necessário. Assim como o muro resolvera ficar. Coisificar-se no tempo. Plantar-se.

Achava que os outros viam por janelas. Ele via fora de casa. Via tudo. E tudo era a bicicleta e o muro. Não havia ilusão, não havia ângulos, só a bicicleta e o muro pendurados no tempo, emoldurados no tempo. De onde estava ainda via os rostos pálidos das gentes que passavam pelas janelas. Viam a delimitação da janela, o limite do olhar e a ilusão do movimento. Não viam nada.

E foi tudo o que viram. Todos eles: Um velho sentado em frente a uma antiga bicicleta escorada a um muro ainda mais antigo que o velho. E só.


Ronie Von Rosa Martins

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Então é Natal – Marco Antonio – 2009

Postado em 26 dezembro 2009 por Marco Antonio Mattos Rezende

Presépio de Laje do Muriaé – Foto Grazy Gonçalves

Então é Natal…

Mais uma vez nos envolvemos com um dos símbolos mais famosos do mundo inteiro e que invariavelmente acontece em todas as partes, no mesmo dia, e que com suas diversas figuras de representação, tendo como uma das principais, o Presépio, que reproduz o nascimento de Jesus Cristo. E que foi iniciado, no ocidente, com São Francisco de Assis fazendo uma reprodução de barro, uma alusão à simplicidade de Jesus nascendo junto com os animais, tornando-se um dos principais símbolos do cristianismo.

A qualquer signo pode ser projetado diversos significados, que no decorrer dos tempos, e em cada grupo cultural podem ser expressos de uma nova maneira, embora contenham sempre a mensagem principal. Isso pode depender da variedade dos acontecimentos e do próprio indivíduo, mas estará embutido aquele, que está no inconsciente coletivo, como no caso do Presépio de Natal, estará sempre a Esperança, que acende com o brilho da estrela, que anuncia o nascimento do Messias, O Prometido (um novo tempo) e que a humanidade se transformaria com sua chegada. Como um novo ano se inicia tudo poderá ser diferente e melhor. Encha-se de esperança, pois um novo ano se inicia e a humanidade será diferente, por isso no dia do Natal… então eu sofro!

Marco Antonio Mattos Rezende.

Leia também a Crônica de Natal de 2008 (clique)

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