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A bicicleta – Ronie Von Rosa Martins – Crônica

Postado em 25 julho 2010 por Marco Antonio Mattos Rezende

foto: http://ronieev.bloguepessoal.com/r4635/A-ESCOLA-ETEREA/

 

A bicicleta
Ronie Von Rosa Martins
Não. O tempo não estava no movimento. Ele pensava. O tempo estava na bicicleta. Imóvel encostada ao muro.

Sim. O movimento era apenas ilusório, o tempo era além dele. Era imobilidade. Sim.

O muro estático e a bicicleta plantada em suas costas. Sustentação tácita. Amparo. O verbo já não existia. O verbo era distância. De fundo o azul chumbo de um céu imóvel como o tempo. Assim como ele. Estático.

Os aros da roda já não deliravam pelas estradas, mas uma massa de tempo enlouquecida se embrenhava imperceptível por eles. Silencioso enroscava-se no metal da bicicleta, retorcia-o. E ele percebia.

O tempo estava. Antes do movimento. Antes do verbo. Antes da representação do movimento. Antes da representação da fala. Ele.
Os pensamentos tentavam se constituir, mas a densidade temporal era anti-constitucional, e os pensamentos e também os sentimentos mesclavam-se em mechas de tempo e no metal da bicicleta e no barro do muro e na carne que era dele.

Então chorou. Silenciosa a lágrima percorreu pele e carne e porosidades e espaços e lembranças. E fez-se memória e apagou-se-extinguindo-se no silêncio da terra. E não houve outra.

Só a bicicleta muda. E dizia tanto. E gritava tão alto. E o muro permanecia além do próprio muro,visto que agora era lembrança. E também a bicicleta. Verde. Não o muro. Este cinza e velho. Como ele.

Cinza e velho ele percebia o tempo, e a bicicleta e o muro. E se tudo era símbolo. Era ele símbolo. Fechou a mão lentamente e pode sentir o tempo pulsando dentro, e afundar-se na carne e mergulhar pra dentro do corpo. E tudo pulsava e tudo era quente.

Tudo era quente no silêncio da bicicleta.

O movimento já não era necessário. Assim como o muro resolvera ficar. Coisificar-se no tempo. Plantar-se.

Achava que os outros viam por janelas. Ele via fora de casa. Via tudo. E tudo era a bicicleta e o muro. Não havia ilusão, não havia ângulos, só a bicicleta e o muro pendurados no tempo, emoldurados no tempo. De onde estava ainda via os rostos pálidos das gentes que passavam pelas janelas. Viam a delimitação da janela, o limite do olhar e a ilusão do movimento. Não viam nada.

E foi tudo o que viram. Todos eles: Um velho sentado em frente a uma antiga bicicleta escorada a um muro ainda mais antigo que o velho. E só.


Ronie Von Rosa Martins

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Então é Natal – Marco Antonio – 2009

Postado em 26 dezembro 2009 por Marco Antonio Mattos Rezende

Presépio de Laje do Muriaé – Foto Grazy Gonçalves

Então é Natal…

Mais uma vez nos envolvemos com um dos símbolos mais famosos do mundo inteiro e que invariavelmente acontece em todas as partes, no mesmo dia, e que com suas diversas figuras de representação, tendo como uma das principais, o Presépio, que reproduz o nascimento de Jesus Cristo. E que foi iniciado, no ocidente, com São Francisco de Assis fazendo uma reprodução de barro, uma alusão à simplicidade de Jesus nascendo junto com os animais, tornando-se um dos principais símbolos do cristianismo.

A qualquer signo pode ser projetado diversos significados, que no decorrer dos tempos, e em cada grupo cultural podem ser expressos de uma nova maneira, embora contenham sempre a mensagem principal. Isso pode depender da variedade dos acontecimentos e do próprio indivíduo, mas estará embutido aquele, que está no inconsciente coletivo, como no caso do Presépio de Natal, estará sempre a Esperança, que acende com o brilho da estrela, que anuncia o nascimento do Messias, O Prometido (um novo tempo) e que a humanidade se transformaria com sua chegada. Como um novo ano se inicia tudo poderá ser diferente e melhor. Encha-se de esperança, pois um novo ano se inicia e a humanidade será diferente, por isso no dia do Natal… então eu sofro!

Marco Antonio Mattos Rezende.

Leia também a Crônica de Natal de 2008 (clique)

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