Postado em 18 junho 2010 por Marco Antonio Mattos Rezende
agora, livre da coadjuvância das afectações: os
deuses se escondem nas artérias do teu
silêncio, na tua fraqueza perfeita porque
sem o hábito de se auto-observar.
voltaste a ti: numa outra intermitência da morte, com
o sublime que é tudo aquilo que ignora um todo e
conduz uma perspectiva até ao quociente interno
de uma invisibilidade que fala através
do teu questionário incicatrizável.
e daí tudo vês: vês-me faltar de propósito à
conclusão do meu poema, vês o peso
da omnipresença do abstracto, da hora antiga,
vês as minhas infâncias e urgências juntas e tar-
dando hoje em se converterem, devolvendo-me
ao que eu era: ao início do dia.
Sylvia Beirute
inédito
Fonte: http://sylviabeirute.blogspot.com/
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Postado em 03 abril 2010 por Marco Antonio Mattos Rezende

não se trata de uma sede ser capaz de fazer evaporar
um oceano
ou de uma mentira poder ter absoluta razão, ou que
envaidece a abstracção na oxidação do cansaço estético.
e mesmo que não saibamos de que se trata,
sempre diremos que não consiste a fotografia deste momento
em inevitar a obliteração dos exemplos, de uma
consciência que extravia
colégios de identidade, palácios de consolação, relógios
casuais que dão forma aos pormenores do tempo.
encontramo-nos na orla do círculo, na superfície do branco
após o negro que o percorre e mutila como a
invenção que brota ou o poema que transnomina no ventre
e cujos versos mudam de lugar em caso de fogo
e natureza intacta.
sabemos apenas que o presente
é uma prótese do passado, e talvez isso chegue
para que devamos fechar os olhos, contornar os nossos
corpos sem uma só morte sobrevivente, e deixar que
o momento prossiga em completo vazio.
Sylvia Beirute – Natural de Faro, Portugal. Estuda cinema e teatro e nasceu em 10 de Dezembro de 1984. Escreve poesia e teatro para mudar o seu mundo e diz-se a favor do Acordo Ortográfico na versão de 1945. Integra o grupo literário texto-al e é autora do blogue Uma casa em Beirute. Tem colaborações dispersas em revistas literárias de Portugal, Espanha, Alemanha, Estados Unidos, Argentina e Brasil.
Seu Blog:
http://sylviabeirute.blogspot.com/
Postado em 27 março 2010 por Marco Antonio Mattos Rezende

Canta, Canta, passarinho
No galho da laranjeira
Minha maior alegria
Te ouvir pela vida inteira
O teu cantar me fascina
Me deixa emocionado
Me traz lindas lembranças
Me faz mais apaixonado
Não sofro por amar alguém
Nem quero te ver na gaiola
No galho da laranjeira
O teu cantar me consola
Passarinho!
Nunca deixe de cantar
Teu canto me traz alegria
Me impedindo de chorar
Teu cantar é só ternura
Em qualquer ocasião
Me traz leveza pra alma
E paz pro meu coração
Esse Poema faz parte do livro “Busca” de Abimar Garcia Pereira
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Postado em 06 março 2010 por Marco Antonio Mattos Rezende

Laercio Andrade de Souza
Ensinou-me a caminhar com segurança
Sem medo, com esperança
Era apenas uma criança
A sentir o odor da floresta orquestrada pelo vento
A ouvir o canto dos passarinhos
O amor das aves em seus ninhos
A descobrir o sabor da água em sua fonte
Ver do alto o horizonte
E no arco-íris, uma ponte
Ensinou-me que alegria não é só antônimo de tristeza
Mas também atributo da beleza
Que amar é respeitar a natureza
E ao próximo como a si mesmo
Amparou-me no tropeço
Ensinou-me que a vida não tem preço
Olhar para o céu, que extasia!
Eu nada via, nada compreendia
Queria, certamente, mostrar Deus
(Difícil empreitada?!)
Que nada!
Era tudo tão belo e infinito
Que acabei convicto
Ensinou-me ecologia
A respeitar os animais e os vegetais
Flora e fauna em harmonia
Não falou em economia
O mundo é tão farto, basta a partilha
Pregava a filantropia
Ensinou-me que o amor é Divindade
Desvendando o “enigma” da Trindade
Que o mundo tem muita vaidade
Pouca caridade!
Que o pão não é só alimento
Mas transmuda a vida num momento
Pai, mestre sem maestria
“Filósofo” sem filosofia
“Doutor” em pedagogia
“Mestrando” em teologia
Pai… só alegria!
Itaperuna, 25/01/2010.
O autor é advogado, membro da Academia Itaperunense de Letras, tem como referência Regional Pe. Hubert Lindelauf e o nacional Alceu Amoroso Lima (“Tristão de Ataíde”).
PS1: Dedico este poema a meu neto Laércio Andrade de Souza Neto, 12 anos, quem digitou, com competência, o poema.
PS2: Este poema foi uma resposta ao meu neto sobre como eu fora educado, se meu pai tinha estudado, se passeava comigo, como era o céu na roça em que fui criado, a montanha denominada “Serra” e outros questionamentos.
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